quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Cinto de Castidade


Apesar de uma discussão bastante interessante, iniciada pelo Rui Pina, no seu estilo particular, descambar em ofensas mais ou menos sub-reptícias de amigos apraz-me dizer:
Discutir a Constituição Portuguesa como aquilo fosse algo que todos respeitam e “tendencialmente” todos se revêm ou devessem rever é cómico!
A CP assemelha-se a um cinto de castidade, com uma chave na posse do Tribunal Constitucional e outra numa maioria de 2/3 na Assembleia da República! Parece-me que seria muito difícil violar a séria República portuguesa.
Contudo, da esquerda à direita tem-se sabido umas quantas violações por parte de quem não deveria ter a chave.
Enquanto PS e PSD, possuidores até hoje da chave dos 2/3 preferem enaltecer as virtudes da dita a discutirem seriamente a sua alteração... Assim viram-se para o Tribunal Constitucional e fazem da sua constituição de juízes mandatários políticos, uma chancela para a violação constante da constituição, com a garantia que o marido traído garante a castidade da mesma... Diga-mos em linguagem corrente o corno manso!
Mas vai-se mais longe: O próprio maridonão tem qualquer pudor em aceitar que, apesar de a violação já ter sido consumada, a constituição continua inviolável por necessidade de força maior. O violador estava mesmo à rasca! E isto de gostos não se discute!
Uma Constituição da República velha mas sábia, cheia de teias de aranha e contradições não deveria ser alvo de necessidades, quase diárias, em ser violada.
Diz o marido que cortar nos trabalhadores públicos e não cortar nos privados é inconstitucional, diz por causa da igualdade entre todos os trabalhadores, certo! Também acho!
Um trabalhador do setor público vai de baixa e recebe 100% do ordenado (agora será 90%) que será igual a um trabalhador do privado que, como defende o guardião da igualdade, quando vai de baixa recebe a partir do 4º dia 65% (agora não mais de 62%) isso é a igualdade, não se está mesmo a ver!....
Um aluno do 12º ano de escolaridade (agora ensino obrigatório) paga 65€ por um livro e isso é ensino tendencialmente gratuito. Isso é defender o ensino Público!
Por isso é que eu preferia que em vez do moralista cinto de castidade a constituição portuguesa estivesse protegida por um colete-de-forças evitando assim que ele esbraceje muito enquanto continua a ser violada!