segunda-feira, 30 de outubro de 2006

O Aborto

Para mim, e é algo que só me compromete a mim, quando se forma o zigoto, temos um novo ser humano!... No que me diz respeito, isso é um axioma!...

Se eu, por um qualquer motivo, defensável ou não, matar outro ser humano cometo um crime!... Se é em legítima defesa da vida (a minha ou de outros), mato um ser humano mas não cometo um crime! No entanto, que alguém julgue a legítima defesa, não posso estar sozinho na análise das consequências do meu acto!...
Respeitando sempre quem, consientemente, acha que só estamos na presença de um ser humano 10 semanas depois da formação do zigoto, ou quando, depois do seu crescimento, ele atingir 500g (posição da OMS), ou 1 hora antes de nascer, ou às 30 semanas... Estes, devem respeitar a consciência dos outros!...
Portanto, neste referendo, o que se pergunta é se uma mulher grávida, se assim o entender, pode abortar até às 10 semanas sem ser criminalizada por isso! Entendo eu, que o estado português, pergunta se o aborto pode fazer parte do planeamento familiar oficial!... Entendo eu, que na nova disciplina das escolas, um professor possa dizer algo como:

  • Se engravidarem porque se esqueceram do preservativo ou da pílula, têm sempre a solução do aborto... A decisão é vossa e ninguém tem nada com isso!...

Tudo isto para dizer que, em Janeiro, não voto?!?... E irei contra aquilo que penso! A liberalização do aborto é algo que vai acontecer mais cedo ou mais tarde!... Já alguém disse que Portugal é um dos últimos países ditos civilizados a fazê-lo. Gostaria que fossemos dos primeiros a infletir esta visão das sociedades ocidentais, onde se perde a identidade dos povos, a sua cultura... Não voto, com a quase certeza de podermos ter, em Portugal, uma protecção da maternidade como nos demais países que agora seguimos... Não voto, porque sei que daqui a umas décadas andaremos a “engravidar” mulheres contra a sua vontade, mas fundados numa lei que as obrigue a ter filhos numa linha de produção...

Não voto, cada um que faça o que quer!... Porque, na verdade, andamos por aqui tão pouco tempo!

1 comentário:

Cristalinda disse...

Não voto, porque sei que daqui a umas décadas andaremos a “engravidar” mulheres contra a sua vontade, mas fundados numa lei que as obrigue a ter filhos numa linha de produção...

Cingab, Cingab, esta questão está a dar-lhe a volta ao juízo...
Filhos! Muitos e sempre, desde que desejados. Como diz a Rosalinda, não existe determinismo nenhum neste processo. Somos seres racionais e o que nos destingue dos outros seres é a capacidade consciente de decidir sobre nós próprios. Porque há-de o “estado” ou a “opinião maioritária” obrigar-me a abdicar desse direito fundamental enquanto ser racional e cidadã?
Compreendo a sua posição de não votar. Resulta da sua sensibilidade social mesmo que afrontada pela sua convicção. Talvez pensasse de outra maneira se fosse mulher. Não necessáriamente, mas quem sabe!

Boas minhocas